O PRISIONEIRO DO ROCK
- danilofantinel
- 23 de dez. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 28 de dez. de 2020
Durante os anos 1950, o rock’n’roll se tornou a mais importante expressão da música popular norte-americana. Sendo responsável por grandes mudanças comportamentais, o rock atraiu o cinema, principal motor do star system norte-americano até a consolidação da TV. Deste encontro surgiram muitos filmes com roteiros fracos, comédias juvenis mais interessadas em explorar novos músicos e cantores do que em refletir adequadamente o momento que se configurava. Entretanto, alguns títulos conseguiram unir o apelo de seus astros a uma observação mais atenta da incipiente cena roqueira, caso de O Prisioneiro do Rock, com Elvis Presley.

Entre filmes rock cinquentistas, o longa de Richard Thorpe surge após No Balanço das Horas (1956) e Música Alucinante (1956), ambos com Bill Haley and His Comets no elenco, Ritmo Alucinante (1956), com Chuck Berry, Shake, Rattle & Rock!(1956), com Fats Domino, e Sabes o que Quero (1956), estrelado por Jayne Mansfield ao lado de Domino, Gene Vincent, Little Richard e The Platters. No geral, são tramas humildes cujas histórias serviam basicamente para intercalar divertidos números musicais dos primeiros rock’n’rollers e também para disseminar a nova música entre as audiências brancas abastadas. Reis de um gênero musical que só crescia, os fundadores do rock tinham no cinema a possibilidade de consolidar carreiras em função da visibilidade que apenas filmes e TV poderiam proporcionar. Com a indústria audiovisual ao seu lado, atores e músicos assumiam o status de novos olimpianos que Edgar Morin viria a debater em L'Esprit du temps em 1962. Para o pensador francês, as estrelas do showbizz seriam vistas pelo público como semideuses cuja aura é garantida pela esfera midiática.
Entre filmes rock cinquentistas, o longa de Richard Thorpe surge após No Balanço das Horas (1956) e Música Alucinante (1956), ambos com Bill Haley and His Comets no elenco, Ritmo Alucinante (1956), com Chuck Berry, Shake, Rattle & Rock!(1956), com Fats Domino, e Sabes o que Quero (1956), estrelado por Jayne Mansfield ao lado de Domino, Gene Vincent, Little Richard e The Platters. No geral, são tramas humildes cujas histórias serviam basicamente para intercalar divertidos números musicais dos primeiros rock’n’rollers e também para disseminar a nova música entre as audiências brancas abastadas. Reis de um gênero musical que só crescia, os fundadores do rock tinham no cinema a possibilidade de consolidar carreiras em função da visibilidade que apenas filmes e TV poderiam proporcionar. Com a indústria audiovisual ao seu lado, atores e músicos assumiam o status de novos olimpianos que Edgar Morin viria a debater em L'Esprit du temps em 1962. Para o pensador francês, as estrelas do showbizz seriam vistas pelo público como semideuses cuja aura é garantida pela esfera midiática.

Com O Prisioneiro do Rock, a MGM conseguiu alcançar a meta segregacionista que as gravadoras Sun Records e RCA Victor já haviam atingido: atrair para si um artista branco, sensual e carismático que pudesse cantar com o brilho e a potência de um músico negro. Com o filme, o estúdio de cinema também consegue simular a transformação do sonho americano em realidade diegética. Na trama, o jovem trabalhador Vince (Elvis) se envolve em uma briga de bar e provoca a morte de um homem acidentalmente. Condenado, passa um período na prisão onde Hunk (Mickey Shaughnessy), músico country falido, lhe ensina a tocar violão. Livre, Vince conhece uma agenciadora de talentos (Judy Tyler) que o insere no mercado fonográfico. Rapidamente, obtém sucesso nacional, apesar do percurso cheio de desafios e trapaças.
Mesmo sem retratar a história de Elvis, suas influências country são bem expressas por um roteiro que falha ao ignorar as raízes negras de sua música. Se Elvis cresceu em Memphis ao som de gospel, blues e rhythm’n’blues, unindo estes gêneros ao country para compor o rock’n’roll pelo qual se tornou imortal, o rock executado por Vince não apresenta qualquer filiação à música negra norte-americana. Apesar do descompasso histórico, O Prisioneiro do Rock ressalta pontos importantes da indústria musical, como as difíceis relações entre estúdios controladores, artistas egocêntricos e aproveitadores de todo tipo. O ápice do longa é a famosa cena em que Elvis canta Jailhouse Rock no cenário de celas montado em um estúdio de TV.
Com um astro experiente nos palcos, mas ainda em busca de sua veia dramática, O Prisioneiro do Rock repercute a revolução cultural provocada pelo rock em um momento em que as sociedades ocidentais transitam da ingenuidade que prevaleceu até após a Segunda Guerra Mundial em direção a um estilo de vida modernizado, arrojado e cosmopolita. Neste novo mundo, especialmente na segunda metade da década de 1950, figura certa ideia de liberdade social supostamente garantida pelo poder de compra que marca uma nova geração de jovens consumidores. A verdadeira contracultura, porém, viria a se concretizar cerca de dez anos depois – e seria estimulada por um rock muito mais politizado.
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